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Fisioterapia, Osteoetiopatia

O regresso às aulas traz consigo livros, cadernos, estojo e todo o restante material necessário para mais um ano letivo. Para muitas crianças, isso significa também carregar diariamente uma mochila que, por vezes, pesa mais do que deveria.

 

Embora transportar uma mochila faça parte da rotina escolar, o peso excessivo, uma mochila mal ajustada ou uma utilização incorreta podem contribuir para desconforto nas costas, ombros e pescoço, além de favorecer compensações posturais durante a marcha e as atividades do dia a dia.

 

É por isso que a escolha da mochila e, sobretudo, a forma como ela é preparada e utilizada merecem a atenção dos pais e encarregados de educação.

 

Neste regresso às aulas, mais importante do que escolher uma mochila bonita ou com a personagem preferida da criança é garantir que ela é adequada ao seu tamanho, confortável, ajustável e transportada corretamente.

 

 

Quanto deve pesar a mochila de uma criança?

 

Uma das recomendações mais utilizadas para orientar o peso das mochilas escolares é que não ultrapassem cerca de 10% do peso corporal da criança.

 

Por exemplo, uma criança que pese 30 kg deverá, idealmente, transportar uma mochila com aproximadamente 3 kg ou menos.

 

Esta referência não deve ser encarada como um número mágico que, ultrapassado por alguns gramas, provoca automaticamente uma lesão. A tolerância varia de criança para criança e depende também da condição física, do tempo durante o qual a mochila é transportada, da distância percorrida, da forma como é ajustada e da maneira como o peso está distribuído.

 

Ainda assim, quanto mais pesada for a mochila, maior será a exigência colocada sobre o corpo, sobretudo quando a criança precisa de a transportar durante períodos prolongados.

 

O problema torna-se particularmente relevante quando a mochila é pesada e, simultaneamente, é utilizada de forma incorreta: demasiado baixa, afastada das costas ou pendurada apenas num dos ombros.

 

 

O peso não é o único problema

 

Quando se fala em mochilas escolares, é fácil concentrar toda a atenção na balança. No entanto, não é apenas o número de quilogramas que importa.

 

Uma mochila relativamente leve pode tornar-se desconfortável se estiver mal ajustada. Da mesma forma, uma mochila pesada pode ser melhor tolerada quando o peso está corretamente distribuído e o equipamento se encontra bem adaptado ao corpo da criança.

 

Entre os principais fatores a ter em consideração estão:

 

  • peso total da mochila;

  • tamanho da mochila relativamente ao corpo da criança;

  • largura e o acolchoamento das alças;

  • possibilidade de ajustar as alças;

  • proximidade da mochila às costas;

  • distribuição dos objetos no interior;

  • utilização simultânea das duas alças;

  • tempo durante o qual a criança transporta a mochila;

  • distância percorrida diariamente;

  • condição física e as características individuais da criança.

 

Por isso, uma mochila adequada começa na compra, mas a proteção das costas continua todos os dias na forma como ela é preparada e utilizada.

 

 

Como escolher a mochila certa?

 

  1. A mochila deve ter o tamanho adequado à criança

 

As crianças crescem rapidamente e uma mochila comprada num determinado ano pode deixar de estar perfeitamente ajustada alguns meses depois.

 

A mochila não deve ser excessivamente grande nem ultrapassar de forma significativa a largura ou a altura do tronco da criança. Uma mochila demasiado grande pode incentivar a colocação de mais objetos no seu interior e dificultar um ajuste adequado ao corpo.

 

A mochila deve acompanhar a criança e não obrigá-la a adaptar a sua postura ao tamanho da mochila.

 

 

  1. Prefira alças largas e acolchoadas

 

As alças devem ser suficientemente largas e confortáveis para distribuir a pressão por uma área maior dos ombros.

 

Alças muito finas podem concentrar a pressão numa pequena zona e tornar o transporte mais desconfortável, sobretudo quando a mochila está carregada.

 

É igualmente importante que sejam ajustáveis, permitindo adaptar a mochila ao crescimento da criança e à roupa que utiliza.

 

 

  1. Duas alças são melhores do que uma

 

Esta é uma regra simples, mas muito importante: a mochila deve ser transportada com as duas alças colocadas nos dois ombros.

 

Utilizar regularmente a mochila apenas num dos ombros faz com que a carga fique assimétrica e pode levar a compensações do tronco e dos ombros.

 

A criança pode até sentir que é mais rápido ou mais prático colocar apenas uma alça, mas esse hábito deve ser desencorajado.

 

 

  1. A mochila deve ficar próxima das costas

 

Uma mochila demasiado solta, descaída ou posicionada muito abaixo das costas pode aumentar o esforço necessário para transportar a carga.

 

Quando a mochila fica afastada do corpo, a carga tende a criar um maior efeito de alavanca, exigindo mais trabalho dos músculos responsáveis pela estabilização do tronco.

 

Por isso, as alças devem ser ajustadas de forma a manter a mochila estável e próxima das costas, sem apertar excessivamente. A mochila não deve ficar pendurada abaixo das nádegas.

 

 

  1. Uma faixa no peito ou na cintura pode ajudar

 

Sempre que possível, modelos com cinta peitoral e/ou abdominal podem proporcionar maior estabilidade.

 

Estes elementos ajudam a manter a mochila mais próxima do corpo e podem contribuir para uma melhor distribuição da carga, especialmente quando a criança precisa de caminhar durante mais tempo.

 

Não são obrigatórios para todas as crianças, mas podem ser uma característica interessante na escolha de uma mochila.

 

 

  1. Dê preferência a uma zona de contacto com as costas confortável

 

A parte posterior da mochila deve oferecer algum suporte e estar devidamente acolchoada.

 

Uma estrutura que mantenha a mochila relativamente estável, combinada com uma superfície confortável, pode melhorar significativamente a experiência da criança durante o transporte.

 

Uma mochila que se deforma completamente quando é colocada às costas pode dificultar a distribuição da carga e tornar o conteúdo mais desconfortável.

 

 

Como organizar corretamente a mochila?

 

Depois de escolher uma boa mochila, é necessário aprender a utilizá-la. A organização do interior pode fazer uma diferença considerável.

 

 

  1. Coloque os objetos mais pesados junto às costas

 

Livros, manuais ou outros materiais mais pesados devem ser colocados na zona mais próxima das costas, evitando que fiquem afastados do corpo.

 

Os objetos mais leves podem ocupar as zonas mais exteriores da mochila.

 

 

  1. Aproveite os compartimentos

 

As divisões internas não servem apenas para manter a mochila organizada. Uma mochila com vários compartimentos permite distribuir melhor os objetos e reduzir o movimento do material durante a marcha.

 

Uma garrafa de água, por exemplo, não deve andar solta no interior da mochila, juntamente com livros, estojo e outros objetos. Quanto menos os objetos se movimentarem, mais estável será a carga.

 

 

  1. Distribua o peso de forma equilibrada

 

Se a mochila tiver bolsas laterais, evite colocar todo o peso de um único lado. Sempre que possível, distribua os objetos de forma equilibrada para evitar uma carga assimétrica.

 

 

  1. Prepare a mochila no dia anterior

 

Preparar a mochila à pressa, minutos antes de sair de casa, pode fazer com que a criança transporte diariamente material desnecessário. Uma boa estratégia é preparar a mochila na noite anterior, verificando o horário escolar do dia seguinte e retirando tudo aquilo que não será necessário.

 

Esta simples rotina pode ajudar a reduzir significativamente o peso transportado.

 

 

A mochila de rodas é uma boa alternativa?

 

As mochilas com rodas, ou trolleys, podem parecer uma excelente solução porque permitem que a criança não transporte diretamente todo o peso às costas.

 

No entanto, não são necessariamente a melhor opção para todas as situações.

 

Quando a criança puxa o trolley, tende a fazê-lo predominantemente com um dos braços. Além disso, em determinadas situações, pode ocorrer rotação ou inclinação do tronco para acompanhar o movimento da mochila.

 

Em pisos lisos e percursos curtos, esta solução pode ser prática. Porém, se a criança tiver de subir escadas, ultrapassar obstáculos ou percorrer terrenos irregulares, o trolley pode tornar-se pouco funcional e exigir mais esforço.

 

Se optar por este tipo de mochila, a pega deve ser regulável em altura, permitindo que a criança a utilize sem precisar de se inclinar excessivamente para a frente ou rodar o tronco de forma exagerada.

 

Mais importante do que escolher entre mochila tradicional e trolley é analisar o percurso diário da criança, as condições da escola e a forma como o equipamento será realmente utilizado.

 

 

E as mochilas de um ombro ou sacos a tiracolo?

 

Para transportar material escolar diariamente, os sacos de um único ombro não são, em geral, a melhor escolha. Ao concentrar a carga num só lado, este tipo de transporte cria uma distribuição assimétrica do peso.

 

Pode ser aceitável para transportar poucos objetos durante períodos curtos, mas não é a solução ideal para uma criança que precisa de levar diariamente vários livros e materiais escolares.

 

Para cargas maiores, uma mochila com duas alças, devidamente ajustada, permite uma distribuição mais equilibrada.

 

 

Uma mochila pesada pode causar dores nas costas?

 

Pode contribuir para o aparecimento de desconforto ou dor nas costas, ombros e pescoço, sobretudo quando o peso é elevado e a mochila é transportada durante períodos prolongados ou de forma inadequada.

 

O corpo procura adaptar-se à carga. Perante uma mochila pesada, a criança pode alterar a posição do tronco, dos ombros e da cabeça para manter o equilíbrio durante a marcha.

 

Estas adaptações podem aumentar o esforço muscular e tornar determinadas tarefas mais cansativas.

 

É importante, contudo, não transformar a mochila escolar numa explicação automática para qualquer dor nas costas.

 

Nem todas as dores numa criança são provocadas pela mochila, e uma queixa persistente deve ser devidamente avaliada por um profissional de saúde.

 

Além disso, não existe fundamento para afirmar que uma mochila pesada, por si só, provoque necessariamente deformações permanentes da coluna ou escoliose. O mais importante é encarar o peso e a forma de transporte como fatores que podem contribuir para desconforto e sobrecarga, sobretudo quando associados a outros fatores.

 

 

Que sinais devem preocupar os pais?

 

Os pais devem estar atentos à forma como a criança reage ao transporte da mochila. Alguns sinais merecem particular atenção:

 

  • queixas frequentes de dor nas costas;

  • dor nos ombros ou pescoço;

  • cansaço excessivo ao transportar a mochila;

  • dificuldade em colocar ou retirar a mochila;

  • marcas ou vermelhidão persistente provocadas pelas alças;

  • tendência para inclinar o tronco para a frente;

  • alterações evidentes na forma de caminhar com a mochila;

  • necessidade constante de retirar a mochila por desconforto;

  • utilização espontânea de apenas uma das alças;

  • queixas que se repetem mesmo depois de reduzir o peso ou ajustar a mochila.

 

Se a criança começar a evitar transportar a mochila, manifestar dores recorrentes ou apresentar alterações persistentes da postura, não deve ser simplesmente aconselhada a “aguentar”.

 

Uma avaliação por um profissional de saúde pode ajudar a perceber a origem do problema e a identificar eventuais fatores que estejam a contribuir para o desconforto.

 

 

O papel da fisioterapia na prevenção

 

A fisioterapia pode ter um papel importante não apenas quando existe dor, mas também na educação para a saúde e prevenção de problemas musculoesqueléticos.

 

No caso das crianças, a avaliação pode permitir observar a postura, a forma de caminhar, a mobilidade, a força muscular e a maneira como a mochila é colocada e transportada.

 

Esta abordagem é particularmente útil porque duas crianças com o mesmo peso corporal podem apresentar características físicas completamente diferentes.

 

A intervenção pode passar por educação postural, aconselhamento sobre a utilização da mochila, exercício físico adequado à idade e, quando necessário, um programa individualizado de fisioterapia.

 

O objetivo não é ensinar a criança a ter medo da mochila, mas sim ensiná-la a transportar o material escolar de uma forma mais confortável e adequada ao seu corpo.

 

 

E a osteopatia?

 

A osteopatia pode integrar uma abordagem global quando existem queixas musculoesqueléticas, sempre com uma avaliação individualizada e tendo em consideração a idade da criança e a natureza dos sintomas.

 

Quando existe dor persistente, alterações funcionais ou outros sinais que levantem dúvidas, a prioridade deve ser perceber qual é a causa do problema, em vez de assumir automaticamente que está relacionado com o peso da mochila.

 

A fisioterapia e a osteopatia podem, em determinados contextos, integrar-se numa estratégia mais abrangente de acompanhamento, em articulação com outros profissionais de saúde sempre que necessário.

 

 

Regresso às aulas: uma boa altura para rever hábitos

 

O início de um novo ano letivo é uma excelente oportunidade para criar pequenos hábitos que podem fazer uma grande diferença.

 

Antes do primeiro dia de aulas, vale a pena verificar:

 

  • Quanto pesa a criança?

  • Quanto pesa a mochila completamente carregada?

  • A mochila é adequada ao tamanho da criança?

  • As alças estão corretamente ajustadas?

  • A criança utiliza sempre as duas alças?

  • Os objetos mais pesados estão junto às costas?

  • Existem materiais que podem ficar na escola?

  • A criança transporta diariamente objetos de que não precisa?

  • O percurso até à escola é adequado para o tipo de mochila escolhido?

  • Existem queixas de dor ou desconforto?

 

São pequenas verificações que podem ser incorporadas na rotina familiar sem grande esforço.

 

 

A melhor mochila é aquela que a criança consegue transportar corretamente

 

No momento de comprar o material escolar, é natural que a criança escolha a mochila pela cor, pelo desenho ou pela personagem favorita. E não há qualquer problema nisso.

 

Mas, entre a aparência e a funcionalidade, é importante garantir que a mochila também responde às necessidades do corpo em crescimento.

 

Uma boa mochila deve ser proporcional ao tamanho da criança, confortável, ajustável e suficientemente resistente. O peso deve ser controlado e o conteúdo organizado de forma a aproximar a carga das costas.

 

E, acima de tudo, a criança deve aprender desde cedo que carregar a mochila com as duas alças, bem ajustada e apenas com o material necessário é tão importante como escolher uma mochila adequada.

 

O regresso às aulas não tem de significar dores nas costas.

 

Com alguns cuidados simples, desde a escolha da mochila até à forma como é organizada e transportada, é possível tornar o dia a dia escolar mais confortável e ajudar as crianças a desenvolver bons hábitos para cuidar do seu sistema musculoesquelético.

 

 

Quando procurar ajuda profissional?

 

Uma dor ocasional depois de um dia particularmente exigente não significa necessariamente que exista um problema grave. No entanto, dor recorrente, persistente ou acompanhada por outros sintomas merece atenção.

 

Se a criança se queixa regularmente das costas, ombros ou pescoço, se apresenta alterações evidentes na postura ou se o desconforto interfere com a escola, o sono, o exercício ou outras atividades, é aconselhável procurar avaliação profissional.

 

Na clínica, uma avaliação individualizada permite perceber se a mochila é realmente um fator de sobrecarga e identificar outros aspetos que possam estar relacionados com as queixas.

 

Neste regresso às aulas, não se esqueça: a mochila deve acompanhar a criança e não ser a criança a adaptar-se à mochila.

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Fisioterapia, Osteoetiopatia

Muitas pessoas convivem com cicatrizes no corpo, sejam elas provenientes de cirurgias, acidentes ou doenças. À primeira vista, parecem apenas marcas inofensivas — sinais visíveis de um processo de cura. No entanto, o que poucos sabem é que essas cicatrizes podem estar na origem de dores crónicas, disfunções musculares, alterações posturais e até sintomas emocionais. Neste artigo, exploramos em profundidade as consequências ocultas das cicatrizes e como a fisioterapia e a osteoetiopatia podem ser decisivas para restaurar o equilíbrio e o bem-estar.

 

 

O que é uma cicatriz?

 

Uma cicatriz é o resultado final do processo de cicatrização do corpo após uma lesão tecidual. Ela representa um remendo do tecido conjuntivo fibroso que substitui temporariamente a estrutura original lesionada, com o objetivo de fechar a ferida e proteger o organismo.

 

Apesar de ser uma solução biológica eficaz, a cicatriz nunca possui a mesma estrutura, elasticidade e funcionalidade do tecido original, especialmente se a lesão for profunda e atingir múltiplas camadas — pele, tecido subcutâneo, fáscia, músculo e, por vezes, vísceras.

 

 

A fáscia: O tecido que liga todo o corpo

 

A fáscia é um tecido conjuntivo contínuo que envolve músculos, ossos, órgãos e outras estruturas do corpo. É responsável por transmitir forças mecânicas, permitir deslizamento entre estruturas e manter a harmonia do movimento. Quando a fáscia é afetada por um corte profundo, como o de uma cirurgia, a sua continuidade e elasticidade são comprometidas.

 

Além disso, a fáscia possui inúmeros recetores nervosos, e qualquer agressão a esse tecido é “gravada” numa memória corporal inconsciente. Isso pode levar a bloqueios físicos e emocionais, mesmo anos após o evento que originou a cicatriz.

 

A fáscia, por estar altamente inervada, regista a memória da lesão, inclusive emocional. Situações traumáticas, como acidentes ou cirurgias de emergência, deixam marcas não apenas físicas, mas emocionais. Quando não tratadas, estas memórias mantêm o corpo em estado de defesa, dificultando a mobilidade, o relaxamento e a recuperação funcional.

 

 

Cicatrizes: Marcas visíveis com efeitos invisíveis

 

Apesar de pequenas, as cicatrizes podem desencadear um efeito dominó no corpo. Quando há perda de mobilidade na região da cicatriz, os tecidos circundantes tentam compensar essa limitação. Isso provoca alterações a longo prazo, muitas vezes sem que o paciente associe a dor ou o desconforto à cicatriz original.

 

As principais alterações causadas por cicatrizes incluem:

 

– Restrição de mobilidade tecidual

– Dor local ou irradiada

– Alterações posturais (como ombros enrolados ou inclinação pélvica)

– Dores musculares e articulares (pescoço, costas, quadris)

– Disfunções viscerais (digestivas, urinárias ou ginecológicas)

– Alterações na sensibilidade da pele (hipersensibilidade, formigueiro ou dormência)

– Comprometimento da função muscular

– Sintomas emocionais (ansiedade, tristeza, alterações de sono)

 

 

Tipos de cicatrizes patológicas

 

Nem todas as cicatrizes evoluem de forma saudável. Quando o processo de cicatrização sofre interferências, podem surgir:

 

  1. Cicatrizes Hipertróficas

Elevadas, espessas e vermelhas, mas restritas à área da lesão original.

 

  1. Queloides

Excesso de tecido cicatricial que ultrapassa os limites da lesão. Podem crescer progressivamente e ser dolorosos.

 

  1. Cicatrizes Atróficas

Afundadas em relação à pele, comuns em casos de acne severa ou varicela.

 

Cada tipo apresenta características específicas e exige uma abordagem personalizada no tratamento fisioterapêutico e osteoetiopático.

 

 

A relação entre cicatrizes e dores a longo prazo

 

Muitos pacientes procuram clínicas de fisioterapia ou osteopatia com queixas de dores persistentes no pescoço, na lombar ou mesmo dores de cabeça. O que muitos ignoram é que a origem pode estar numa antiga cicatriz abdominal, uma cesariana ou uma cirurgia ortopédica aparentemente bem-sucedida.

 

Isto acontece porque a fáscia, ao ser cortada e depois suturada, perde parte da sua mobilidade. Essa “âncora” invisível altera as tensões nas cadeias musculares, gerando compensações em outras partes do corpo — um ombro sobe, a bacia roda, a cervical é puxada para frente, e surge a dor.

 

 

Cicatrização: Um processo em três fases

 

  1. Fase Inflamatória (1 a 4 dias)

Há edema, dor, rubor e calor. O organismo inicia a resposta imunológica e a hemostasia.

 

  1. Fase Proliferativa (5 a 20 dias)

Formam-se fibroblastos e colagénio. Começa a formação da nova matriz extracelular.

 

  1. Fase de Maturação (a partir de 21 dias, podendo durar meses ou anos)

O tecido cicatricial é remodelado, tornando-se mais resistente, mas raramente igual ao original.

 

Mesmo após anos, o tecido cicatricial pode continuar a sofrer alterações, por isso é fundamental avaliá-lo regularmente.

 

 

Como a fisioterapia e a osteoetiopatia atuam nas cicatrizes?

 

Tanto a fisioterapia quanto a osteoetiopatia têm abordagens eficazes para libertar restrições teciduais causadas por cicatrizes, promovendo um reequilíbrio postural e funcional.

 

Avaliação individualizada

 

Antes de iniciar qualquer tratamento, é realizada uma avaliação completa para:

 

– Identificar o tipo de cicatriz

– Analisar a mobilidade do tecido cicatricial

– Verificar compensações posturais

– Avaliar padrões respiratórios e emocionais

 

Técnicas utilizadas

 

Libertação miofascial: mobilização das aderências e tecidos restritos

Mobilização visceral: essencial quando há envolvimento abdominal ou pélvico

Mobilização diafragmática: melhora o padrão respiratório e reduz tensões viscerais

Neuromodulação e EPI (eletrólise percutânea): para melhorar o trofismo e a função neuromuscular

Reeducação Postural Global (RPG): corrige padrões compensatórios

Pilates Clínico e Exercício Terapêutico: reeduca o controlo motor e fortalece as cadeias musculares

 

 

A importância da intervenção global

 

Uma cicatriz não deve ser tratada de forma isolada, mas sim no contexto global do corpo. Mesmo que esteticamente pareça discreta, os efeitos que produz podem ser profundos e multifatoriais.

 

Apenas massajar a zona com creme hidratante, embora útil para a pele, não é suficiente para desfazer as alterações funcionais internas.

 

 

Objetivos do tratamento fisioterapêutico e osteoetiopático

 

– Reduzir a dor e o desconforto

– Restaurar a mobilidade tecidual

– Reintegrar a função neuromuscular

– Corrigir alterações posturais

– Melhorar a biomecânica corporal

– Reequilibrar as tensões fasciais

– Restaurar a funcionalidade visceral e diafragmática

– Promover o bem-estar emocional

 

 

Casos comuns em que a cicatriz é a causa oculta

 

Cesariana: dores lombares, alterações abdominais, dor pélvica

Apendicectomia: dores na lombar ou no ombro direito (por alterações viscerais)

Cirurgias ortopédicas (joelho, anca, coluna): restrições musculares e compensações posturais

Episiotomia ou parto vaginal traumático: dor pélvica, dor nas relações sexuais

Cirurgias oncológicas (mastectomia, histerectomia): alterações na respiração, postura, humor

 

 

Cicatrizes precisam de atenção especializada

 

A cicatriz é inevitável em muitos casos — parte de um processo de cura, de uma cirurgia necessária, de uma cesariana, mas não precisa ser sinónimo de dor, limitação ou desequilíbrio. Com o tratamento certo, é possível transformar essa marca numa parte funcional e integrada do corpo.

 

Se sente dor inexplicável, rigidez, cansaço crónico, alterações posturais ou desconfortos após uma lesão ou cirurgia antiga, a causa pode estar numa cicatriz mal tratada. A fisioterapia e a osteoetiopatia têm um papel fundamental na identificação e tratamento dessas alterações.

 

No Centro de Terapia Manual – Filipe Ramos temos profissionais especializados na avaliação e tratamento de cicatrizes, com uma abordagem global, integrada e personalizada. Se necessitar da nossa ajuda, contacte-nos ou marque já a sua consulta.

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Fisioterapia

O esporão do calcâneo é uma projeção anormal de um pequeno segmento do osso do calcanhar, o calcâneo. Ou seja, no osso é formado uma protuberância óssea que corresponde a um depósito anormal de cálcio.

 

Na maioria das vezes, o esporão localiza-se na parte inferior do calcâneo (por baixo do osso do calcanhar) e não é visível do exterior. Para o diagnosticar, o médico tem que recorrer a meios complementares de diagnóstico, como o raio-x, por exemplo.

 

O calcâneo é o maior osso do nosso pé. É o calcâneo que sustenta o peso do nosso corpo, dessa forma suporta um impacto constante e intenso. Durante a marcha, cada um dos calcanhares suporta o peso de todo o corpo de forma alternada. Essa carga é aliviada por camadas de tecido situadas sob o calcanhar.

 

 

O que causa o esporão do calcâneo?

 

Este crescimento ósseo é causado por microtraumatismos provenientes do nosso dia-a-dia. No entanto, existem diversos fatores de risco que facilitam o seu desenvolvimento, tais como:

– usar calçado inadequado;

– ter excesso de peso (obesidade);

– praticar desportos que exijam um elevado impacto do pé no chão;

– permanecer muitas horas de pé;

– ter o pé chato ou o pé cavo;

– pisada desajustada.

 

O esporão calcâneo também é mais comum em pessoas com mais idade, sobretudo depois dos 40 anos. A osteoartrite, a artrite reumatóide, a insuficiência circulatória e outras doenças degenerativas também se associam a um maior risco de esporão calcâneo. Pode existir uma tendência genética para este quadro.

 

 

Quais são os principais sintomas do esporão do calcâneo?

 

Entre os sintomas mais comuns do esporão do calcâneo, destacamos:

– dor intensa ao apoiar o peso do corpo no calcanhar;
– dor na sola do pé;
– inchaço no calcanhar e no tornozelo;
– dor que melhora ao ficar com os pés repousados e piora ao fazer atividades como subir escadas ou caminhar.

 

 

Como tratar o esporão do calcâneo?

 

A Fisioterapia continua a ter uma resposta muito eficaz no tratamento do esporão do calcâneo, melhorando bastante a qualidade de vida do paciente.

 

Nas sessões de Fisioterapia, serão realizadas diversas técnicas que visam a melhoria dos sintomas, tais como:

 

– realização de exercícios de alongamento, que permitam o estiramento;

– realização de exercícios para estimular a curvatura ideal do pé e a mobilização da fáscia;

– aplicação de ondas de choque, para os casos onde após 6 meses ainda continue a ocorrer sintomatologia (dor crónica);

– técnica de crochetagem ou de massagem transversa profunda que podem causar algum desconforto, mas libera a fáscia;

– entre outras técnicas e exercícios.

 

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Osteoetiopatia

As preocupações em excesso, inseguranças, medos, excesso de horas de trabalho, atividades domésticas e demais atividades relacionadas com a rotina diária, são um grande fardo para maioria da população.

 

Por isso, é normal que uma grande parte da sociedade se sinta esgotada. A origem disso nem sempre é física, pode ser emocional e pode afetar crianças e adultos. Até o nosso corpo colapsar, há um longo caminho que o mesmo percorre, sendo comum a manifestação de sintomas para avisar que algo não está bem.

 

É normal que nesta fase as pessoas apresentem dificuldade de concentração, irritação, cansaço e dores e fraqueza musculares.

 

Má postura para a saúde

 

Muitos pacientes não se sentem confortáveis quando se sentam, caminham e deitam, pois o seu corpo dá sinais de que algo está errado. Muitas vezes, a origem deste incómodo está relacionado com a posição inadequada do nosso corpo nas tarefas diárias.

 

Os sintomas mais comuns são dor cervical e/ou lombar, fadiga, barriga protuberante, cifose e insónias, sendo tudo consequências da má postura.

 

A má postura não tem consequências apenas estéticas, ela também pode causar problemas físicos que prejudicam a qualidade de vida, tais como alterações na coluna vertebral, especialmente nas regiões cervical e a lombar.

 

Ainda que não acusem problemas de imediato, é provável que a médio e longo prazo possam se pronunciar por meio de diferentes doenças.

 

Osteoetiopatia, uma solução eficaz para os seus problemas

 

A Osteoetiopatia baseia-se no princípio de que o bem-estar de um indivíduo depende da harmonia entre os seus ossos, músculos, ligamentos e tecido conjuntivo.

 

Esta terapia manual, que se aplica a diversas patologias, diferencia-se da osteopatia porque integra o conhecimento de outras áreas, como a etiopatia, para tratar a raiz do problema.

 

A Osteoetiopatia é por isso uma forma de detetar, tratar e prevenir diversos problemas de saúde através da mobilização, do alongamento e de massagem dos músculos e articulações do paciente.

 

Durante as técnicas aplicadas, o osteoetiopata poderá mexer nas articulações, músculos e nervos para aliviar a dor e melhorar a mobilidade da parte do corpo.

 

Esta terapia é indicada para pessoas que tem dores e espasmos musculares, dor nas costas, pescoço e ombros e cefaleias, por exemplo, e outros problemas no corpo causados pelo sedentarismo, má postura, lesões desportivas ou excesso de stresse.

 

A osteoetiopatia é indicada para pessoas de todas as idades e como é uma especialidade muito abrangente, tem muitas mais indicações terapêuticas, que pode consultar aqui.

 

Em que consiste uma consulta de osteoetiopatia?

 

A consulta inicia-se com uma avaliação detalhada do paciente, em que todo o histórico dos sintomas será abordado e interpretado. Posteriormente são realizados alguns testes específicos para a identificação da causa do problema, e consequente, é elaborado o diagnóstico clínico.

 

Este diagnóstico é a base para definir o plano terapêutico, que será composto por um conjunto de técnicas que permitem as correções fisiológicas e articulares, aconselhamento especifico sobre exercícios que o paciente pode efetuar, bem como quais as posturas corporais que são necessárias melhorar.

 

A duração do tratamento, incluindo a quantidade de terapias e o intervalo entre elas, depende da resposta de cada paciente, sempre em função da sintomatologia e da resposta do corpo.

 

Livre-se das dores! Marque já a sua consulta de osteoetiopatia.
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